1. SEES 21.8.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  FERRAMENTA DEMOCRTICA
3. ENTREVISTA  PHILIP ZIMBARDO  O MAL EST EM TODOS NS
4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  A HIDRA BUROCRTICA
5. MALSON DA NOBREGA  POR UM VERDADEIRO ORAMENTO IMPOSITIVO
6. LEITOR
7. BLOGOSFERA
8. EINSTEIN SADE  PACIENTES NA ERA DA INFORMAO

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

VITAMINA PARA QU?
O uso de suplementos vitamnicos e antioxidantes  um tema controverso. A cincia, no entanto, est prestes a pr um ponto-final nessa discusso. Estudos, cada vez mais numerosos e consistentes, provam que a grande maioria das pessoas, mesmo as que eventualmente comem  mal, obtm todos os nutrientes de que precisa dos alimentos. A ingesto de suplementos , portanto, incua na melhor das hipteses. Reportagem no site de VEJA mostra ainda que h perigo no uso de megavitamnicos, que podem desequilibrar os processos de oxidao no organismo. 

AFEG DO RAP
So poucas as afegs que ousam levantar a voz para o marido, mas Paradise Sorouri, de 28 anos, troca o vu islmico por um moletom com capuz e canta, no ritmo do rap, as agruras da vida no Afeganisto. "Eu quero ser a voz de uma mulher, nem mais nem menos. Por que eles querem que eu seja menor que os homens?", canta em suas apresentaes. Entrevista com Paradise e seus vdeos esto em VEJA.com

TREINO PARA A OAB
O exame da OAB ostenta uma das maiores taxas de reprovao do pas. A partir da prxima semana, os candidatos ganham um grande reforo rumo ao prximo exame: o Curso Preparatrio, parceria entre VEJA.com e AlfaCon, empresa da Abril Educao. Durante dois meses, professores vo abordar as matrias cobradas na prova com a ajuda de videoaulas e textos de apoio. Todo o contedo estar disponvel na pgina veja.com.br/tema/exameoab.

PSICOLOGIA NO UFC
0 lutador Chris Weidman, responsvel por tirar o cinturo dos pesos mdios de Anderson Silva, diz que sua formao de psiclogo o ajudou a nocautear o brasileiro na lendria luta de julho, em Las Vegas. "Foi o que me fez superar as provocaes de Anderson no octgono", disse. O lutador de 29 anos, bacharel em psicologia pela Hofstra University, conversou com o site de VEJA no quintal de sua casa em Baldwin, Nova York. 
 Conhea uma das maiores academias de luta do mundo, comandada por Renzo Gracie, neto de um dos precursores do jiu-jtsu no Brasil, em Nova York.


2. CARTA AO LEITOR  FERRAMENTA DEMOCRTICA
     Uma reportagem desta edio de VEJA anuncia o relanamento de uma das mais corajosas e premiadas ferramentas no combate contra a corrupo no Brasil: o Excelncias, um banco de dados alimentado pelos profissionais da ONG Transparncia Brasil, que sara do ar em 2012. Agora ele volta renovado numa parceria com VEJA, que far regularmente reportagens ancoradas nas revelaes do Excelncias. O mecanismo de busca permite acesso imediato, pela internet, a informaes sobre todos os 594 parlamentares em exerccio na Cmara dos Deputados e no Senado Federal. Descobre-se como votam, quando faltam s sesses, que emendas propuseram, as aprovadas e as derrubadas. Revela-se quem foram os doadores de campanha, quanto gastaram e que processos sofrem na Justia. No h antdoto mais forte contra os malfeitos de Braslia do que ter a vida pblica dos parlamentares exposta sem estratagemas que iludem o eleitor  e no h postura cvica mais recompensadora do que seguir o comportamento de um deputado ou senador depois do voto depositado na urna. 
     O Excelncias, nesse aspecto,  um extraordinrio atalho democrtico. VEJA se orgulha de apoiar essa iniciativa. As dezenas de milhares de brasileiros que saram s ruas em junho gritavam contra a classe poltica, descontentes com tantos anos de um jogo de faz de conta em que o dinheiro do contribuinte serviu, muitas vezes, a interesses particulares dos parlamentares. "O povo unido no precisa de partido", dizia um dos cartazes mais celebrados. Precisa, sim. E precisa acompanhar de perto os polticos. Saber o que eles fazem com o dinheiro do contribuinte  condio sobejamente inibidora da inpcia e de crimes tratados com um eufemismo: "caixa dois de campanha". Um Brasil capaz de enxergar o cotidiano de deputados e senadores  luz do dia talvez no se envergonhasse de seus representantes  com o devido apreo s extraordinrias excees  e no precisasse descer ao asfalto para protestar contra quem deveria zelar pelo bem pblico. 
     VEJA sempre se pautou pela busca da informao correta em nome do interesse pblico. Alm do Excelncias, abrimos espao em nosso site para os dados colhidos por outra entidade sem fins lucrativos de controle do gasto pblico, o Contas Abertas. Essas iniciativas buscam, entre seus objetivos primordiais, frear o mais nocivo dos males brasileiros: a corrupo.


3. ENTREVISTA  PHILIP ZIMBARDO  O MAL EST EM TODOS NS
O psiclogo americano que demonstrou como as circunstncias podem fazer aflorar a maldade nos homens diz que prises so inteis e que o mal se autoalimenta.
GABRIELE JIMENEZ

Boa pane dos 80 anos do psiclogo americano Philip Zimbardo foi dedicada a buscar resposta a uma questo ao mesmo tempo fascinante e assustadora: o que leva as pessoas a praticar o mal? Seu ponto de partida foi uma revolucionria pesquisa realizada nos anos 70, na Universidade Stanford: ao isolar e dividir um grupo de jovens entre guardas e prisioneiros no ambiente imaginrio de uma priso, ele constatou que os maus-tratos de uns e a submisso de outros extrapolaram todos os limites. Hoje, o psiclogo tem crticas ao prprio experimento. "Foi antitico porque causou sofrimento aos participantes", diz. No livro O Efeito Lcifer (Ed. Record), lanado recentemente no Brasil, Zimbardo se debrua sobre as lies da experincia de Stanford. De seu escritrio na universidade, ele falou a VEJA sobre os padres que levam pessoas ordinrias a cometer maldades fora do comum. 

O Brasil est chocado com os indcios de que um menino de 13 anos, de comportamento considerado normal, tenha assassinado toda a famlia e se matado. O que poderia explicar tamanha barbrie? 
Felizmente, casos horrendos assim, em que um suposto bom menino faz uma coisa muito m, so nicos e raros. Eles no se enquadram em nenhuma categoria-padro da psicologia, nem se encaixam em uma anlise "normal" da natureza humana. Nesse caso, poderamos investigar se, nesse menino, a conscincia da mortalidade, decorrente de sua doena degenerativa, gerou a sensao de que a vida no valia a pena. E, em vez de morrer passivamente, ele escolheu agir e ceifar a vida de pessoas que amava. Mas no conheo detalhes do episdio e, pelo que voc me diz, nem mesmo se sabe se ele ocorreu dessa forma. 

Onde reside a origem do mal? 
Freud dizia que a tendncia a destruir e a praticar o mal tem suas razes na prpria natureza da mente humana e que todos ns, sem exceo, carregamos um componente que incita a maldade. Os pensadores que vieram depois reforaram essas descobertas, ao concluir que o mal est no carter, na personalidade. Ou seja, ele repousa dentro das pessoas  e pode vir  tona ou no. Minha contribuio foi pesquisar a fundo quais ambientes e situaes estimulam de forma decisiva a expresso desse lado ruim de cada um. Sim, as circunstncias tm um peso determinante para que o mal viceje. Submetida a forte presso, muito pouca gente  capaz de resistir e se manter no espectro do bem. 

Qualquer um de ns pode cometer uma atrocidade, ento? 
Os estudos mostram, um aps o outro, que no mais do que 10% das pessoas conseguem permanecer imunes a situaes que as compelem a agir de forma m. Quando os caminhos familiares e seguros so trocados por uma situao totalmente nova, o inesperado pode despertar no ser humano reaes completamente contrrias a tudo aquilo em que acredita, fazendo emergir uma face bastante cruel.  assim que surgem, muitas vezes, os regimes tiranos, violentos, usurpadores das liberdades individuais e transgressores dos limites. 

At mesmo aqueles indivduos que todos consideram boas pessoas esto sujeitos a se converter ao mal nessas situaes? 
Sem dvida, e a histria refora bem isso. Os seres humanos so flexveis em relao a seus valores e crenas. Tendem a se adaptar ao status quo. Se ele muda, as pessoas logo trocam seus padres habituais de resposta por outros que faam mais sentido na nova ordem. Pergunte a algum o que faria em uma situao de pleno poder sobre os outros e muito provavelmente ouvir: "Faria o bem, claro". Mas eu questiono: se essa pessoa nunca esteve diante de uma situao de presso extrema, como saber ao certo? Na verdade, no h como prever. Eu mesmo, no experimento que  coordenei em Stanford, percebi uma transformao assustadora nos meus alunos e em mim mesmo. 

No senhor tambm? 
Eu no me preparei como deveria para uma pesquisa de tantos dias ininterruptos. Era o nico especialista formado do grupo e comecei a perder a perspectiva objetiva. Relembrando a experincia: dividi 24 jovens brilhantes e saudveis em dois grupos, um de guardas e outro de prisioneiros, com a inteno de observar seu comportamento durante quinze dias. Naquele ambiente de priso, os "guardas" imediatamente se puseram a submeter os "presos" a abusos constantes e cada vez mais cruis, enquanto estes afundavam na submisso e na depresso. Eu, de minha pane, fui me deixando controlar pelo papel de diretor da priso e perdendo o distanciamento indispensvel em minha posio. O processo foi to violento que decidi encerrar o experimento em seis dias. Foi tempo suficiente para comprovar que, diante de circunstncias favorveis, pouqussimos so capazes de resistir ao mal. 

 luz desse experimento, o senhor interpretou o extermnio de judeus pelos nazistas... 
Sim. Nossa mente possui uma capacidade infinita de racionalizar e justificar nossas aes. Para os nazistas, essa justificativa era a crena de que aqueles atos se faziam necessrios em prol de uma causa, um "bem maior". Outros, menos idealistas, diziam apenas estar realizando seu trabalho, e isso, para eles, tornava qualquer ao razovel. O fato  que havia milhes de pessoas em cumplicidade, prontas para exercer o mal em sua pior forma dentro de um sistema muito bem engendrado. Hitler corrompeu todas as esferas da sociedade  da educao ao Judicirio  criando mecanismos de controle e dominao que o tornaram a si prprio dispensvel. A meu ver, a histria no mudaria seu curso se um dos planos para assassinar Hitler tivesse prosperado. A mquina para fazer o mal j estava montada, e a maioria se juntaria a ela, como sempre faz. Repare que um ingrediente essencial dessa engrenagem foi a desumanizao das vtimas  no caso, os judeus. Quando isso acontece, a disseminao do mal se trivializa. 

H pessoas que so mais propensas a praticar o mal? 
Sim. O grupo mais propenso a se engajar em violncia e ser destrutivo  o dos psicopatas, que at tm conscincia de seus atos, mas no sentem culpa, empatia ou vergonha do que fazem e desprezam o sofrimento alheio. Esses indivduos, felizmente, representam apenas 1% da populao. Outra evidncia que temos  que cerca de metade das pessoas que sofreram alguma espcie de violncia brutal, na infncia ou mesmo na idade adulta, tende a praticar tais atos mais tarde, ainda que no necessariamente na mesma intensidade. Mas as pesquisas no forneceram at este momento uma resposta razovel sobre por que alguns conseguem superar o trauma e outros vivem enredados nele. 

Algumas pessoas resistem mais  maldade do que outras? 
Sim, e elas tm muito em comum. So pessoas que, segundo venho observando ao longo de dcadas, repetem um mesmo padro de comportamento: no se submetem a um sistema que consideram injusto e se rebelam contra autoridades tiranas, ainda que quase todo mundo  sua volta seja simptico a elas. 

Ao afirmar que as circunstncias podem corromper as pessoas, o senhor no est tirando delas a responsabilidade por seus atos? 
Por favor, no confundam o que digo com "desculpologia". As pessoas so, sim, responsveis por suas aes e devem responder por elas perante as instituies de direito, mesmo que o sistema as tenha empurrado para a direo errada. O julgamento de Nuremberg trouxe essa questo  tona ao tratar da carnificina nazista. Os oficiais de Hitler alegavam no tribunal: "Eu estava apenas seguindo ordens. No tinha como fazer diferente'". Queriam banalizar o mal, como a filsofa alem Hannah Arendt bem pontuou. Mas a Justia condenou a todos, enfatizando uma ideia essencial: se voc prejudicou o prximo, ceifou vidas, disseminou o mal, as razes so absolutamente irrelevantes. Voc  culpado da mesma forma. 

Uma vez que algum tenha cometido um ato de maldade, fica mais fcil repetir o gesto? 
Sim, todos os estudos mostram que o mal vai subindo de nvel numa progresso gradativa. Se a pessoa comete um pequeno desvio, tende a considerar o seguinte s "um pouquinho pior"'. Ento, vai-se abrindo uma fresta perigosa para que ela traia, minta ou machuque os outros cada vez mais. E o indivduo vai encontrando razes para justificar seus atos, de forma que suas atitudes no lhe paream malignas, mas, ao contrrio, essenciais. Como  da espcie humana acreditar que  movida pelo bem, os valores comeam a se distorcer para legitimar aquela situao. Passamos a acreditar que o que costumava ser errado agora  certo, ou pelo menos apropriado para um determinado contexto.  

Por que o senhor foi  corte defender um dos soldados americanos que apareceram em fotos maltratando prisioneiros iraquianos em 2004? 
A administrao Bush dizia que soldados como aqueles eram "mas podres", quando, na verdade, esse tipo de conduta se disseminava por muitas outras prises iraquianas nos mais variados escales. No caso de Abu Ghraib, ficou claro que militares de alta patente haviam incitado os abusos, instruindo seus subordinados a fazer o que fosse preciso durante a noite para que os prisioneiros abrissem a boca nos interrogatrios da manh. Testemunhei em favor do sargento Chip Frederick argumentando que, sim, ele era culpado, mas sua pena deveria ser calculada levando-se em conta sua responsabilidade em comparao com a dos outros. S que nenhum desses altos oficiais foi punido. Pior ainda: alguns acabaram at promovidos, num exemplo de como o sistema protege a si mesmo. Deveriam ter ido todos para a cadeia. 

A priso consegue reabilitar quem j praticou atos de crueldade? 
De jeito nenhum. No mundo inteiro, o modelo de hoje s refora o mal como um valor. No h ali nenhum bom padro de comportamento em que se mirar. Um claro equvoco. Se uma pessoa vai passar anos e anos na cadeia bancada pelos impostos que cada um de ns paga, deveramos refletir sobre como ensinar a ela algo de novo, para evitar que reincida no crime. No entanto, a maior parte das pesquisas mostra que 70% dos detentos, ao ser soltos, acabam cometendo outros atos criminosos e voltam para trs das grades. O sistema prisional precisa ser repensado  trata-se de um fracasso multibilionrio. Uma de minhas ideias  criar um sistema de prmio para o carcereiro: a cada ano que um ex-detento que esteve sob sua responsabilidade ficasse longe do crime, ele receberia um bnus.  um caminho para incentivar melhores prticas e valores na priso. 

Uma parte das suas pesquisas foi feita no Brasil, onde o senhor entrevistou torturadores que atuaram na ditadura militar. O que descobriu? 
Eu queria entender que tipo de gente aceita um trabalho desses. Analisamos a histria de vida dessas pessoas  havia muitos policiais civis  para saber se existia algum fato no passado que as tivesse levado a isso. No achei nada. Em geral, eram indivduos normais, com vida comum, at assumirem a funo. No apresentavam desvios de personalidade nem eram sdicos. A triste concluso foi que qualquer um pode ser treinado para se tornar torturador. 

H algo que se possa fazer para resistir ao poder das circunstncias? 
Primeiro, temos de compreender que somos todos vulnerveis. Depois, prestar ateno ao que acontece  nossa volta, identificar discrepncias entre o que as pessoas dizem e o que elas fazem e aprender a questionar a autoridade quando ela for injusta, amoral, antitica. Por fim,  essencial parar de justificar decises equivocadas. A melhor vacina contra a prtica do mal  o exerccio permanente da autocrtica. 


4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  A HIDRA BUROCRTICA
     Aprovada a obra, era a hora da eletricidade. Liga-se para a distribuidora local. A voz informa que era preciso ter a escritura do terreno. Sem isso, luz de vela. Por que ser? Se o terreno foi comprado a prestao, ainda no h escritura. Superada essa barreira, outro telefonema. A voz pede que se informem o nmero da casa, o endereo do vizinho mais prximo e o nmero do poste mais prximo. Minha senhora, por um ano e meio, a prefeitura ainda no pariu o nmero. Tampouco h vizinhos, o loteamento  novo. Alm disso, o cabeamento  subterrneo, no h postes. Dilogo de surdos. Sem essas informaes, no podemos ligar a luz. 
     A planta da casa adquiriu o hbito de ir e voltar da prefeitura. Sempre falta algo. Primeiro, foi uma parede que precisava caminhar de banda, coisa de 10 centmetros. Depois, precisava constar que no se podia construir no vo livre abaixo. Mais uma ida e vinda, pois se alegou que no havia lugar para o carimbo. Tenho um conhecido, dono de uma pequena fbrica. Durante anos, fez tudo para conseguir o habite-se para o prdio. Vendeu a fbrica antes de obt-lo. Ao mesmo tempo, invadem-se terras, pblicas e privadas, constroem-se favelas. Por que a lei no se aplica nesses casos?  
     Por que se tenta impedir que farmcia venda picol? Faz menos mal que alguns remdios. 
     Por largo tempo, muitos tentaram destruir o sistema de mercado, embora as alternativas  bem visveis  no mostrassem coisa melhor. Com o afundamento do comunismo, descobriu-se uma maneira bastante eficaz de atrapalhar o maldito capitalismo: a legislao do meio ambiente e sua aplicao labirntica.  tiro certeiro, no para proteger o meio ambiente, mas para atrapalhar a sociedade. 
     Uma senhora do departamento municipal, dedicado a esses misteres, exigia autorizao para podar amoreira, um arbusto exgeno, sempre plantado pelo dono da terra. A mesma senhora, um ano depois do pedido, condicionou minha licena de construo a uma aprovao do instituto estadual que cuida desses assuntos, embora o loteamento j estivesse licenciado. Um amigo plantou milhares de mognos, com o objetivo de produzir madeira. Mas sem autorizao no pode cortar. 
     No caso do pinheiro-do-paran, consta ser uma temeridade deixar crescer um brotinho que surja no seu terreno. Se virar rvore, nunca mais poder ser cortado, sob pena de priso. H duas solues para cortar um arbusto cuja raiz est fendendo a laje do edifcio. Pedir autorizao  prefeitura (leva meses) ou cortar rapidinho, no fim de semana. Meu amigo est sendo autuado, pois no renovou a licena da bica construda por seu av faz oitenta anos. Nem falemos de Belo Monte! Mas arde um bom naco da Floresta Amaznica, sem que muito se faa para impedi-lo. 
     O valhacouto da eficincia seria o setor privado. Iluso!  bem melhor, mas no escapa dos males ibricos da burocracia. Est contaminado. Quis comprar uma garrafa de vinho, com pressa. Descobri que para fazer to importante aquisio, sem cadastro, s com autorizao do gerente. Entro na internet, procurando ferramentas. Esto l, aos milhares, mas na maioria das lojas, para saber o preo,  preciso fazer uma consulta por e-mail. 
     As faculdades particulares teriam toda a leveza das gazelas; afinal, trata-se da iniciativa privada, com sua ambio de eficincia e lucro. Na prtica, com a aposentadoria precoce de professores nas pblicas, os cargos mais seniores acabam em mos desses profissionais. O que temos? Dinossauros fantasiados de gazelas, exibindo burocracia quase to frondosa. 
     Aonde quero chegar com esse ramalhete de exemplos bizarros, mas partcipes, no cotidiano dos brasileiros? H uma insidiosa invaso do estado na vida e na liberdade dos brasileiros. Com que direito o governo legisla cada vez mais sobre assuntos em que no est em jogo o bem comum? Se quero cuspir para cima, pode ser uma cretinice e ter efeitos previsveis. Mas no cabe ao governo proibir esse meu ato. Qual o direito do estado de atrapalhar a vida dos outros, exceto se isso promove o bem-estar coletivo? Mais um grande tema na agenda do pas. 
     Enquanto isso, o estado no cuida direito do que s ele pode fazer.

CLAUDIO DE MOURA CASTRO  economista


5. MALSON DA NOBREGA  POR UM VERDADEIRO ORAMENTO IMPOSITIVO
     O moderno oramento pblico surgiu na Europa medieval e se consolidou com as mudanas institucionais da Revoluo Gloriosa (Inglaterra, 1688) e da Revoluo Francesa (1789).  parte relevante da marcha civilizacional rumo  democracia. Seu papel foi limitar o poder absoluto dos reis. Sua execuo  obrigatria em pases desenvolvidos. 
     Nesse processo, receitas e gastos passaram a depender de prvia autorizao legislativa. Criou-se a auditoria das contas pblicas. Douglass North e Barry Weingast, em clssico estudo sobre a Revoluo Gloriosa, chamam tais avanos de "revoluo fiscal". Na Inglaterra, bero dessa evoluo, uma liturgia anual simboliza o valor do oramento. O ministro da Fazenda caminha da residncia oficial at o Parlamento para a entrega solene do documento. Logo em seguida, o tema ocupa pginas dos jornais e tempo do rdio e da TV.  
     O Brasil  herdeiro de velhas tradies ibricas, marcadas por patrimonialismo e frgeis instituies fiscais. At os anos 1930, as emendas parlamentares ao oramento serviam para fazer nomeaes, dar nome a ruas e cometer outras esquisitices. Aqui se interpreta que o oramento  "autorizativo", com base no artigo 66 da Constituio, que fala em "montante da despesa autorizada". Na verdade, "autorizar" a despesa  funo exclusiva do Legislativo. Isso no quer dizer que o governo possa descumprir o oramento. Tal interpretao tem permitido ao Executivo alterar, a seu modo, prioridades estabelecidas em lei. Trata-se de aberrao institucional que consagramos no Brasil. 
     A proposta, feita anos atrs, de inserir a ideia do oramento impositivo na Constituio tem toda razo de ser. Acontece que a emenda recentemente acolhida por Comisso da Cmara foi modificada para incluir apenas as emendas parlamentares. Caso seja aprovada dessa forma, poderiam advir graves consequncias para o pas. Isso porque o Congresso tem o mau hbito de inchar as receitas, interpretando um dispositivo constitucional que prev a correo de "erros e omisses". A regra  usada para "reestimar" a receita e dessa fornia abrigar mais emendas parlamentares. Se a prtica for mantida e houver obrigatoriedade de liberao automtica das emendas, o descontrole de gastos ser inevitvel. A sada  estabelecer que a estimativa da receita caiba a uma agncia independente, a ser criada, ou a tcnicos dos trs poderes, como em outros pases. O clculo seria compulsoriamente adotado na feitura e na aprovao do oramento. 
     H dois aspectos adicionais. Primeiro, a convenincia de manter certa flexibilidade para alterar o oramento, quando urgente. Segundo, a inconvenincia, lembrada por alguns, de criar uma rigidez para apenas 10% dos gastos (os outros 90% j so obrigatrios). A flexibilidade pode ser mantida mediante autorizao para remanejamentos limitados e criao de rito sumrio para as emergncias. H pases onde mudanas podem ser feitas em 24 horas. Na zona do euro, os recentes cortes de gastos foram aprovados rapidamente pelos respectivos parlamentos. Quanto aos 10%, h que modernizar o oramento, mesmo que para uma parcela menor. Para evitar o desastre fiscal que se avizinha e no deixar passar a oportunidade de civilizar o oramento, seria desejvel que as lideranas do Congresso e do Executivo se articulassem em torno de uma proposta sensata, fundada em trs pontos: (1) o oramento impositivo valeria para todas as despesas; (2) o Executivo seria autorizado a remanejar despesas no obrigatrias at um limite razovel, como j se faz atualmente; e (3) seriam adotadas regras de governana para evitar a "estimativa" inconsequente das receitas. 
     Estudiosos atribuem  lei oramentaria um carter meramente formal, que no incorpora norma jurdica obrigando sua execuo. Essa viso despreza as origens histricas do oramento e seu papel na democracia. Outros, a meu ver corretamente, conferem a esse documento o carter de lei plena, portanto obrigatrio. 
     A aprovao do oramento impositivo, sem os riscos citados,  um avano necessrio. De lambuja, chegaria ao fim a m prtica de utilizar as emendas parlamentares como instrumento de barganha poltica.

MALSON DA NBREGA  economista


6. LEITOR
REVOLUO NA GINSTICA
Parabenizo VEJA pela iniciativa de publicar uma reportagem que destaca o kettlebell ("Mais forte, mais rpido, mais saudvel. E em menos tempo", 14 de agosto). Fui apresentado a esse equipamento quando praticava kombato. Treinar com essa "bala de canho'" com ala mudou a minha vida. Eu estava com apneia do sono, acima do peso e sem tempo para ir  academia. Depois que comecei o treino, meu corpo e minha sade melhoraram muito.
RODRIGO COSTA
Rio de Janeiro, RJ

Os praticantes e aficionados do kettlebell ficaram muito felizes com a reportagem de VEJA. No entanto, entendo que houve uma falha ao publicar nas redes sociais a seguinte frase associada  imagem da capa da revista: ''Economize com o personal trainer". Sou tambm personal trainer, alm de professor universitrio com mestrado na rea e empresrio. Um treinador individual  um profissional de suma importncia no resultado diferenciado de um programa de treinamento fsico  no pode ser dispensado em troca de leituras, vdeos, cursos e acompanhamento a distncia ou similares.
CLUDIO NOVELLI
So Paulo, SP

Esto com os dias contados aquelas longas (e entediantes) horas na esteira e aqueles pesos insuportveis.
ROSE BAROLLO SFORCIN
So Paulo, SP

MARCUS VINCIUS COELHO
Excelente a entrevista com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vincius Coelho ("O crime no pode compensar"', 14 de agosto). Temas complexos e relevantes so abordados com objetividade e coragem. Coibir a abertura de cursos de direito e fechar aqueles que no tm qualidade so medidas saneadoras num mercado j saturado.
ARMANDO REIS VASCONCELOS
Recife, PE

De uma instituio como a OAB sempre se espera que aja como um farol. E como um farol ela tem se conduzido em episdios marcantes, com mobilizaes pela volta das eleies diretas, pelo impeachment de Collor, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Maria da Penha e Lei da Ficha Limpa, pela manuteno das atribuies correcionais do CNJ etc. So oitenta anos na trincheira do bom combate  e ela est pronta para muito mais. A entrevista das pginas amarelas de VEJA com o atual presidente da OAB, o maranhense Marcus Vincius Coelho,  nova prova disso. Por meio do entrevistado, a OAB se faz ouvir com altivez, lembrando quanto o pas necessita de uma representao poltica melhor, coisa que, a depender do atual Congresso, no sair nem a frceps nem a pedido do Vaticano. A entrevista merece ser lida, relida e vista como documento histrico. Quando fala a OAB, fala a sociedade. Marcus Vincius, com sua juventude, sabe disso e recusa-se a se portar como um aventureiro e a jogar para a torcida, abusando da demagogia. Esse figurino no serve  OAB e ele bem o sabe. Se  certo que o pior cego  aquele que no quer ver, sirva sempre a OAB como um candeeiro a nos livrar da escurido. Mudar o que no est bom s depende de ns, eleitores. A voz das ruas j se fez ouvir. Que os senhores homens pblicos cumpram com a sua parte. E no tenham dvida: a OAB est de olho.
GUSTAVO HENRIQUE DE BRITO A. FREIRE
Recife, PE

Muito bem colocada pelo presidente da OAB, Marcus Vincius Coelho, a ideia segundo a qual "o estado precisa dar assistncia social, psicolgica e econmica s vtimas". O que vemos  o estado dando assistncia a bandidos de todos os tipos. Preso que pe fogo em colcho tem de dormir no cho. O bandido  que tem uma dvida para com a sociedade, e no o contrrio.
HAMILTON LUIZ CORRA
Curitiba, PR

Concordo com Marcus Vincius Coelho. No entanto,  necessrio atacar a causa da delinquncia juvenil, que reside basicamente no cio.  vivel e imprescindvel trocar as fbricas de monstros por colnias produtivas de trabalho e regenerao.
UIRASSU TRINDADE DE BEM
Bag, RS

A banalizao da advocacia causa indignao. Faculdades nas quais o lucro se sobrepe ao ensino resultam nessa massa com diploma e sem capacitao. A entrevista com o presidente da OAB, Marcus Vincius Coelho, evidenciou as dificuldades que encontram aqueles que, como eu, sonham em cursar direito por um Brasil mais justo.
ROBERTA MUNHOZ REQUIO
Curitiba, PR

INTERFERNCIA DO MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI
 grave o caso das contas do PT revelado por VEJA na reportagem "A ordem veio de cima'" (14 de agosto). Mas, na continuidade do julgamento do mensalo, que o povo no perca a confiana na independncia dos ministros da Suprema Corte. Nem todos percorreram os caminhos do ministro Ricardo Lewandowski para chegar ao Supremo Tribunal Federal. Ele  um ponto fora da curva.
NILSON OTVIO DE OLIVEIRA
Valinhos, SP

Est plenamente justificada a fria com que o ministro Joaquim Barbosa investiu contra o ministro Lewandowski, quando do julgamento do mensalo, ao afirmar que este estava defendendo os rus. Caiu a mscara, Lewandowski!
OSWALDO BAPTISTA PEREIRA Filho
Campinas, SP

Ministro Lewandowski, o senhor deveria se envergonhar de ocupar uma das mais altas cadeiras da Justia brasileira para achincalhar os brasileiros.
PAULO SILVA SANTOS
Aracaju, SE

Depois do julgamento do mensalo, algum ainda acreditava que o ministro Lewandowski no era mos, braos e pernas do PT? No entendo por que tanta surpresa ao v-lo docilmente interferir em favor da aprovao das despesas de campanha da presidente Dilma Rousseff. A foto de Lewandowski estampada na reportagem de VEJA mostra quo soberba  a figura do ministro que, em 2014, poder presidir o STF. Imagine o estrago  Justia do pas!
BEATRIZ CAMPOS
So Paulo, SP

 triste e lamentvel constatar que os tentculos do PT alcanaram os trs poderes. Em outros pases, isso seria caso de impeachment e investigao sria. Mas, no Brasil, pode ser pgina virada em pouco tempo.
SIDNEY O. NOVAES JR.
Foz do Iguau, PR

Viveremos sob uma democracia capenga enquanto a chefia do Executivo federal conservar a prerrogativa de nomear a cpula do Judicirio (STF, STJ e TSE). Quando interessados designam seus juzes e os de seu partido, tudo cai numa zona egrgia de falta de provas, como no caso relatado por VEJA, de aprovao das contas do PT por fora de presses imperiais do ministro Ricardo Lewandowski. Note-se que, quando se toca em reforma poltica, os temas mais sensveis ao poder no se inserem na agenda, envolvida pela capa populista de um plebiscito.
AMADEU ROBERTO GARRIDO DE PAULA
So Paulo, SP

DOMINGOS DUTRA
Quanta admirao senti pelo deputado federal Domingos Dutra. Na reportagem "O sonho acabou" (14 de agosto), e em sua entrevista "O PT foi engolido pelo sistema", percebi sua lealdade para com princpios e valores como a solidariedade e a preocupao com o bem-estar coletivo. Para o PT, esses princpios serviram apenas para forjar a falsa imagem de um partido que, no fundo, foi sempre igual a todos os outros, ou pior. O PT construiu uma fachada para cooptar pessoas ntegras e de valor, como o deputado, alm de militantes e eleitores ingnuos e desavisados  entre os quais estive includa at 2003.
ESTER MARIA XAVIER
Nova Lima, MG

Em artigo publicado na edio de VEJA de 7 de abril de 1999, intitulado "Sobre farinhas do mesmo e de outros sacos", o articulista Roberto Pompeu de Toledo alertava para o perigo de nivelar por baixo toda a classe poltica. Seu argumento era que tal atitude prejudicaria a democracia, j que poderia desembocar num total descaso para com o processo de escolha: se todos so iguais, que diferena faz escolher entre um e outro? A atitude do maranhense Domingos Dutra mostra que ainda existem polticos nos quais vale a pena acreditar.
LUIZ LIMA DOS SANTOS
Coelho Neto, MA

Nunca gostei das ideias petistas, e os ltimos anos mostraram que eu estava correto. Apesar de eu no concordar com os princpios originais do PT, pessoas como o deputado Domingos Dutra me fazem acreditar num futuro melhor para meus filhos. Ainda creio que haja mais pessoas honestas do que pilantras neste mundo. Esse deputado refora a minha crena.
CHARLES MEYER SUSSKIND
So Paulo, SP

CASO SIEMENS
Os escndalos de cartel e corrupo relatados por VEJA na reportagem "O acerto que saiu dos trilhos" (14 de agosto) no so vistos apenas por aqui. Em todos os continentes se observa que a troca de favores  uma prtica comum. Resta saber qual dimenso o caso Siemens ter no Brasil  j conhecido por inmeros episdios de corrupo e pela impunidade.
DAVI SANTOS
Passo Fundo, RS

Vale abrir os olhos para as aes da Siemens. De inocente a empresa nada tem.
CAROL VOSGERAU GUSI
Curitiba, PR

Que toda a sujeira do caso Siemens seja investigada e que seus comparsas  no importa o partido nem o governo  recebam a devida punio.
TIAGO FRANCISCO FULGENCIO
So Paulo, SP

ENERGIA
Veio na hora cena a excelente reportagem "O barato j ficou caro" (14 de agosto), que tratou de dois assuntos relevantes: a aodada reduo da tarifa de energia por parte da presidente Dilma Rousseff e a grave situao dos nveis dos reservatrios das hidreltricas. Sou engenheiro civil e consultor e observo que, nos primeiros dez dias de agosto, os nveis dos reservatrios do Sudeste, de 59,03%, aproximaram-se perigosamente do patamar observado em 2002 (55,56%), quando ainda vivencivamos a crise de 2001. No entanto, como explicitou a reportagem, a situao  mais dramtica no Nordeste", que est com somente 39,72%, valor inferior ao de 2002 (41,77%). A regio s no est passando por um racionamento extremo de energia porque, do total consumido, 40% esto sendo importados do Norte e do Sudeste.
HUMBERTO VIANA GUIMARES
Salvador, BA

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
Nem mesmo o brilho e a capacidade de sntese de Roberto Pompeu de Toledo  conseguem refletir o caos jurdico em que vivemos ("Tudo  absurdo", 14 de agosto). Milhes de processos no se arrastam, vagueiam pelos tribunais durante quinze, vinte anos ou at mais, muitos deles sem soluo. A mdia grifa sempre os casos em que ocorrem eventos sujeitos ao Cdigo Penal, mostra prises. Mas o pas para mesmo  na enorme ineficincia relacionada ao conjunto de normas que regem as atividades cveis (Cdigo Civil, Cdigo do Processo Civil, Execues Fiscais etc.). trabalhistas e suas legislaes conexas. Algum h de empunhar essa bandeira, pois, se resolvermos isso, teremos um salto no PIBinho que assombrar a todos.
JOS FLAVIO MONTEIRO FRANCO
Santana de Parnaba, SP

LYA LUFT
To simples mas ao mesmo tempo to profundo o artigo ''Um humanismo mais humano" (14 de agosto), da escritora Lya Luft. Depois do Dia dos Pais, pude ler o texto de Lya e percebi que o verdadeiro significado no est ligado  gratificao material, e sim ao cuidado e  lembrana de algum que cuidou de voc. E, assim como o afeto foi a temtica para a coeso do artigo, ele  tambm a resposta para tornar a nossa sociedade mais humana.
TALO MEDEIROS CAVALCANTE
Natal, RN

NOVELA AMOR  VIDA
A reportagem "A Csar o que  de Csar" (14 de agosto) trouxe com inteligncia e sensibilidade uma interessante abordagem da novela Amor  Vida. As frases de efeito do personagem Flix so sarcsticas, beirando um debochado e caricato desprezo. Entretanto, as posies crticas de Csar refletem uma postura quase unanime: tica e moral so de uma maneira para alguns e inexistentes para outros. Creio que reconheceremos muitas figuras desse tipo em nosso cotidiano. "Dinamitar convices burras"  uma expresso excelente!
CARMEM VERONICA SOBRAL ARGARATE
Por e-mail

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


7. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

QUANTO DRAMA!
PATRCIA VILLALBA
NOIVA CADVER
Amor  Vida ganhou contornos de filme de terror no captulo que terminou com a morte de Nicole (Marina Ruy Barbosa), em pleno altar. Quem mais poderia pensar num destino to cruel para uma personagem? Tim Burton, na animao A Noiva Cadver.
www.veja.com/quantodrama

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
PESADELO
O Egito  um sonho do Ocidente tomado um pesadelo para os... prprios egpcios;  a primavera da iluso ocidental tornada o inverno da realidade muulmana.
www.veja.com/reinaldoazevedo

COLUNA
AUGUSTO NUNES
TREM-BALA
Mais um adiamento no leilo do trem-bala comprova que s Dilma continua acreditando no colosso concebido para provar que o Brasil Maravilha  tambm uma potncia ferroviria. 
www.veja.com/augustonunes

COLUNA
RODRIGO CONSTANTINO
ECONOMIA
Temos uma economia que mal consegue crescer, enquanto a inflao continua elevada e a taxa de juros apresenta tendncia de alta. O governo produziu um cenrio de estagflao no pas.
www.veja.com/rodrigoconstantino

SOBRE PALAVRAS
QUE MICO!!!
Ai, pai, que mico!'' Uma das grias preferidas dos adolescentes brasileiros tem seu aspecto curioso menos na origem do que no desenvolvimento semntico que levou o macaquinho de rabo comprido a significar "situao embaraosa, vexame". Tudo indica que o Houaiss est certo ao identificar como passo intermedirio o mico-preto do velho jogo de cartas infantil. Mico Preto comeou sua carreira como marca registrada. Nesse jogo perde quem, no fim, tem na mo a carta do macaquinho. Fez tanto sucesso que virou substantivo comum e acabou dando num verbo de ampla circulao, micar, que significa ficar com um ttulo ou propriedade que j no tem aceitao no mercado e tambm, por extenso, simplesmente fracassar.
www.veja.com/sobrepalavras

SOBRE IMAGENS
LISA LARSEN
Nos anos 50, poca urea do fotojornalismo e das revistas ilustradas, uma fotgrafa muito jovem fez sucesso no mundo masculino das redaes: era Lisa Larsen (1925-1959). Nascida na Alemanha, ela foi ainda adolescente para Nova York com a famlia. Comeou na revista Vogue e fez editoriais de moda para o jornal The New York Times e a revista Glamour. Em 1950, foi contratada pela revista Life. Lisa fez sucesso, conquistou prmios e realizou reportagens importantes nos quase dez anos que permaneceu na revista. Morreu precocemente, aos 34 anos, de cncer de mama.
www.veja.com/sobreimagens

NOVA TEMPORADA
BREAKING BAD 
A TV americana j comeou a exibir os ltimos episdios de Breaking Bad, srie de Vince Gilligan que encerra sua produo na quinta temporada, com 62 episdios e (at o momento) sete prmios Emmy, distribudos entre atores e edio. O seriado est na corrida do Emmy deste ano, podendo ainda ser indicado em 2014, com os episdios atualmente em exibio. Desde sua estreia, em 2008, Breaking Bad tornou-se um marco da histria da TV americana ao transformar o protagonista, um homem ingnuo e assustado, em um criminoso frio e calculista. Uma espcie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, com a diferena de que no existe aqui o vai e volta entre um personagem e outro. 
www.veja.com/temporada

 Est pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINSTEIN SADE  PACIENTES NA ERA DA INFORMAO
Facilidade de acesso a informaes sobre sade cria uma gerao de pacientes mais questionadores.

     Digitar num site de buscas o nome de qualquer doena significa receber rapidamente centenas ou milhares de referncias sobre o tema. Estudos cientficos, revistas eletrnicas especializadas, sites de associaes e entidades mdicas, publicaes leigas, blogs, redes sociais em que pacientes e familiares trocam experincias e notcias sobre determinada doena... Ao alcance de um clique, esto  disposio contedos confiveis e outros nem tanto; informaes corretas e, tambm, verdadeiros absurdos. Com tanta fartura de dados facilmente acessveis  inevitvel que, alm do prprio mdico, cada vez mais pacientes consultem a internet para informar-se sobre sua doena, tratamentos disponveis, prognsticos, etc.  uma bagagem que faz deles pacientes mais questionadores, demandantes de detalhes e explicaes. Como o mdico lida com isso? 
     Foi-se o tempo em que mdicos eram tidos como os nicos detentores da informao, cabendo aos pacientes apenas acatar as decises. Embora ainda haja profissionais que se sintam desconfortveis ante o novo contexto,  crescente o nmero dos que veem isso de maneira muito positiva, pois entendem que pacientes bem-informados agem como protagonistas ativos do prprio tratamento, participando das tomadas de decises com os mdicos. Ao entender melhor as causas e consequncias de cada iniciativa, o indivduo adere mais s recomendaes e ao tratamento, o que contribui para obter resultados melhores. 
     Nesse sentido, o prprio mdico pode fazer da internet uma aliada na relao com o paciente, orientando-o sobre sites em que ele pode encontrar informaes importantes relacionadas  doena e at usando vdeos mdicos disponveis na rede para explicar, com o apoio de imagens, o problema que est afetando o paciente ou como ser feito um procedimento cirrgico 
     Informao , sim, uma ajuda valiosa. E se a web pode pregar peas no pblico leigo, o remdio  discernimento na hora de pesquisar, dando-se preferncia a fontes mais confiveis, como sites de instituies e associaes mdicas e cientficas gabaritadas, muitas das quais dispem de reas especficas para a comunicao com o pblico leigo. 
     Guarnecidos das referncias adequadas, pacientes e mdicos podem ser beneficiados ao fazer uso das boas informaes disponveis na rede. Porm,  importante destacar: a confiana e o vnculo estabelecidos entre mdico e paciente sempre sero mais importantes do que qualquer informao, no importa de qual veculo ela venha.

Saiba mais sobre este e outros assuntos no site www.einstein.br
Sugira o tema para as prximas edies: paginaeinstein@einstein.br
Sua sade  o centro de tudo.
f/hospitalalberteinstein
t@/hosp_einstein
Youtube/HospitalEinsten

Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949


